De novo, as ciclovias

Porto Alegre, RS 18/05/2010 Ciclovia da Av. Diário de Notícias. Foto: Guilherme Santos/PMPA
Foto: Guilherme Santos/PMPA

Tenho opinião formada sobre as ciclovias: sou favorável! Assim mesmo, com ponto de exclamação. Mas tem gente que pensa que sou contra, só porque tenho a coragem de apontar os erros que estão sendo cometidos na sua implantação em Porto Alegre. Agora mesmo, está em curso o Projeto de Plano Diretor de Mobilidade Urbana que, uma vez aprovado, terá validade por dez anos. Dá para se perceber, com alguma clareza, que foram deixados de lado, na preparação do Plano, alguns pontos básicos, como a relação custo-benefício para a população-alvo e, para o restante da população atingida. Um plano dessa natureza não pode ser mera adaptação de planos externos. Deve, isto sim, ser uma construção inteligente, levando em conta a realidade local, a topografia, a cultura, as densidades demográficas, os hábitos e as preferências de cada uma das regiões da cidade. Repito aqui o que já afirmei antes: é preciso ter visão sistêmica, para que não se repitam, na implantação de novas ciclovias, situações como as que ocorreram quando da implantação de outras, que não só não resolveram coisa nenhuma, como, ao contrário, criaram novos e preocupantes problemas. Exemplifico. Após as ciclovias da Vasco da Gama e da José do Patrocínio, muitas empresas viram reduzida a frequência de clientes, pela falta de estacionamentos. Em consequência, algumas já fecharam e outras estão em fase de mudança ou de fechamento. Agora, com o projeto de implantação, já em andamento, incluindo a Av. Nilópolis e as ruas Santa Cecília e Neuza Brizola, o cruzamento que será feito na Protásio Alves, em dois pontos, obrigará o funcionamento de mais duas sinaleiras. O efeito é mais do que previsível: numa avenida, na qual circulam muitas dezenas de milhares de veículos diariamente, já estreitada pela pista exclusiva para ônibus, o engarrafamento vai se tornar insuportável. Vai dificultar ainda mais a vida diária de centenas de milhares de pessoas, não só as que estão em trânsito, mas também dos residentes, além de afetar diretamente o funcionamento dos estabelecimentos comerciais. Quantas pessoas serão beneficiadas? E quantas serão prejudicadas? A desproporção é enorme. Será que vale a pena tudo isso?Quando tomo conhecimento de que se pretende implantar uma ciclovia, sem oitiva à população residente na região atingida, sem avaliação dos reflexos sobre a qualidade de vida dessa população e sem apresentar uma justificativa racional para isso, penso que não é uma postura sensata, nem tecnicamente admissível. E, mais grave do que isso, não é uma postura democrática.

JOÃO CARLOS NEDEL
Vereador

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